Di Recife para noiz

por Giovanna Roecker

Nessa terça-feira, dia 24 de novembro, a Etec Irmã Agostina teve o grandiosíssimo prazer de conhecer Alessandra Leão. Cantora, compositora, percussionista, Alessandra encanta todos com o seu sotaque que vem “di” Recife. Na sua fala, acompanhada por Danilo Gusmão e Isabela Morais, os alunos tiveram uma apresentação cheia de “falas entonadas” e um pouquinho do gosto de uma forma de cultura que poucos conhecem.

A carreira de cantora de Alessandra começou desde muito nova – como ela mesmo contou – aos 16 anos já voltada ao lado das artes. Alessandra tentou ser atriz, porém não se viu nesse ramo, então partiu para a dramaturgia, mesmo que se sentisse bem fazendo isso, não era o que a completava. E foi no meio de dramaturgia e atuação que ela notou a necessidade da sua alma pela música e começou a cantar. Alessandra diz que sempre lutou contra o discurso que para viver de música tinha que vir para São Paulo. E fez acontecer a sua crença, cresceu como cantora em Recife e se encontrou no interior do nordeste, onde ela não só teve uma descoberta cultural, mas uma descoberta pessoal. Há dois anos ela sentiu vontade de vir morar em São Paulo, não pela carreira, mas pela chance de viver em uma cultura diferente.

Alessandra citou, recitou e cantou muito sobre as brincadeiras populares e a que mais foi dita fora a “Cavalo marinho” – Uma brincadeira, que tem duração de 8 horas, onde se tem não só os atores que participam, mas a plateia sempre tem que estar atenta ou se não pode levar “Bexigada”. Em suas falas, ela leva os seus ouvintes para uma viagem a um Brasil pouco conhecido para a juventude urbana. Ela com sua graciosidade traz a nós a reflexão sobre a velhice e a juventude, quando conta a história da Dona Virgília, e em uma reflexão ainda mais profunda presenteia a todos com a frase: “Ela não tem que ser resgatada, tem que ser reconhecida” ao falar dos talentos de dança, canto e a energia de Virgília.

No meio das “brisas” sobre as brincadeiras típicas, Danilo Gusmão faz uma analogia um tanto interessante, na qual as brincadeiras no nordeste tem a mesma força que o grafite em São Paulo, você pode gostar, pode odiar, mas tem que entender e conviver com ele(s).

Feminista ativista, Alessandra, em resposta a pergunta da Isabela, fala sobre a tag primeiro assédio e também sobre a dificuldade de entrar no mundo da música sendo mulher, principalmente em lugares conservadores, onde a mulher não pode nem ao menos querer tocar, e conta suas lutas de empoderamento para que aos poucos em lugares que sempre conservaram esses pensamentos reacionários. Ela, junto de um grupo de mulheres ensinou que mulheres também podem tocar e que podem tocar até melhor do que muitos homens.

Não fazendo só a frente de um movimento de luta social, Alessandra levanta a bandeira contra a romantização da pobreza, onde todos acham “lindo” e “fofo” aquela pessoa que vive em extrema miséria conseguir cantar: “Quando vemos de uma forma romântica, olhamos muito de longe. Quando desromantizamos, vemos o quão duro é a realidade da essência”, Alessandra – como é dito popularmente – “Lacra as inimigas” ao mostrar que não é bonito aquela mulher com o dom do canto não ter nem um banheiro em casa.

E no meio das diversas perguntas que caíram sobre ela durante aquele horário de almoço, houve uma que obteve a resposta que mais marcou, e o que realmente representou a ida da Alessandra aquela escola e que demostrou que ela apesar de encarar daquela forma, conseguiu com êxito o seu objetivo, sendo essa pergunta sobre como ela se sentia perante a missão de levar um tipo de cultura pouco conhecida a vários lugares do Brasil, dando a chance de centenas de pessoas conhecê-la. E ela em duas palavras respondeu “Um desafio”.

Parabéns e obrigad@ Alessandra, por ter ganhado esse desafio dentro do nosso colégio.

minutinho

vem descendo tão cromatic-insistentemente, que acha um pouso, dá um salto e começa de novo porque você não viu, não viu, não viu o que aconteceu. e assim, meio que num afobamento ritmado, cadenciado, e pleno. e serenamente, porque cada uma das síladas é ditas com clareza uma vez, baixo, e depois, eu canto uma oitava acima e ainda faço outra oitava pra dizer que você não me atendeEeEeEu

e ai cai devagar porque dizem que eu fiquei foi chorando. pausa. sorrindo.

cantando.

e eu repito as palavras, e o violão continua naquele mesmo jogo circular. e ele é aberto, ele swinga junto comigo. e ele faz zigue zagues de notinhas agudas e me embala nessa dança de densidade de tempo.

denso. você não sabe quanto vale cinto minutos na vida. e nem quantas eternidades cabem nesses 2minutos e 57de-aperto-no-peito-e-cantar-e-cantarolar…

e nem nunca nunca e nunca e nunca vai

“cabelo ao vento, gente jovem reunida”

Somos um grupo de pessoas que, se vistas separadas, parecem jovens comuns que aumentam o número da população mundial e diminuem cada vez mais os metros quadrados disponíveis por pessoa em um trem ou metrô.
E isso é verdade! Somos comuns. Todos os dias “pegamos” o trem, metrô, piruá, ônibus, ou o que for, para ir pra escola. Ficamos grande parte dos nossos dias na escola. E quando chega sexta-feira, você pode pensar que estamos animados porque o fim de semana está perto, mas ainda intocável, como aquela sobremesa que sua mãe faz no domingo e você fica morrendo de vontade de comer, mas só pode depois do almoço.
Mas, na verdade, estamos empolgados porque no almoço de sexta temos um destino certo, um lugar especial cheio de boas energias: a aula de Canção Popular. É nela que podemos ouvir muitas e muitas músicas brasileiríssimas e analisá-las, para mais tarde, serem postadas, compartilhadas, distribuídas, divididas, expostas ou como você preferir chamar, nas nossas redes sociais, que serão informadas no tumblr e agora aqui no wordpress.

Na aula, que não faz muito sentido se chamar assim, já que se parece mais um encontro entre amigos que expõem e discutem, tanto ideias do passado, quanto as do presente, e como os ideais do passado nos influenciam e influenciarão. O meio musical demonstra isso de maneira clara.
Também pensamos em inserir atividades paralelas na escola: saraus, música, microfone aberto e o intercalasses alternativo.
Quem teve a iniciativa foi a professora Isabela Morais. Em suas palavras, “é um curso de filosofia da linguagem a partir dos estudos da canção.” E esta página foi criada para que “a gente circule, mas que seja ponte de publicação e diálogo com todos os estudantes da ETEC”, onde poderemos compartilhar bons trabalhos que foram feitos, como redações, textos, análises feitas em sala de aula, excelente fichamento de livros, canções…
Os encontros começaram em 4 de Abril de 2014 e contam com vários participantes.